sábado, 6 de março de 2010

Onda do mar


Onda que, enrolada, tornas,
Pequena, ao mar que te trouxe
E ao recuar te transformas
Como se o mar nada fosse,

Por que é que levas contigo
Só a tua cessação,
E, ao voltar ao mar antigo,
Não levas meu coração?

Há tanto tempo que o tenho
Que me pesa de o sentir.
Leva-o no som sem tamanho
Com que te oiço fugir!

Fernando Pessoa

quarta-feira, 3 de março de 2010

Reflexão no Gerês


Reflexão

Sim, olhar a paisagem…
Olhá-la como um bicho
Ou como um lago.
Olhá-la neste vago
Sentimento
De pasmo e transparência.
Olhá-la na decência
Original,
Com olhos de inocência
E de cristal.

Miguel Torga
Gerês, 2 de Agosto de 1968

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Nas ilhas do Grupo Ocidental (Açores)

Entre as Flores e o Corvo
sobre as águas do Atlântico e
na companhia de golfinhos e gaivotas
29 de Agosto de 2009









terça-feira, 23 de junho de 2009

FRAGAS

O pouco que sou devo-o às fragas.

Miguel Torga


quinta-feira, 30 de abril de 2009

sábado, 25 de abril de 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

BELADONAS



E as beladonas! Tantas! Havia-as em todos os canteiros. Brotavam da terra, misteriosas e perfumadas, vestidas de seda cor-de-rosa, aqui e ali, por toda a parte, às vezes até nas ruas do jardim! Nas ruas... que escândalo! - comentava o gesto brutal do velho jardineiro, arrancando-as e atirando-as para o lado sem piedade. Coitadinhas!... Tantas! Sem uma folha: a haste direita e o palmito ao alto! Toda a seiva se desentranhou em cor e perfume. Elas, todas, apenas são corola e alma! E as beladonas, toda a gente sabe, só brotam da terra, misteriosas e perfumadas, vestidas de seda cor-de-rosa, em Setembro.
Florbela Espanca, As Orações de Soror Maria da Pureza (conto)